quinta-feira, 1 de setembro de 2022

... e viveram felizes até que se casaram

"Eu te amo e quero viver para sempre ao seu lado.". Cilada número 1.
"Faço tudo para você ficar comigo.". Cilada número 2, e é melhor nem seguir adiante nas frases e suas análises.
Há algum tempo, venho observando casais por onde passo e onde estou -é um hábito meu observar, por isso ando muito a pé - e percebi que o bendito romantismo após o "casamento" - pode ser só morar junto- acaba com a convivência. Ou com a conveniência do "para sempre..."?
Vi outro dia um casal que, quando namorados, enchia-me de inveja dos cuidados, carinho, atenção... Passaram por mim, cumprimentamo-nos e percebi de cara o lado a lado, nem mais mãos dadas e até uma certa distância um do outro. A bendita cilada 1.
Hoje, sai com os pequenos para almoçar e observava um pai sozinho com sua filha, um novo casal salada mista (meus filhos, teus filhos...) e eis que chega uma família "padrão" e o pai na frente, a mãe e o filho atrás... Nenhum sorriso. Estão juntos. Cilada 2.
O que nos falta para mudar isso? Que arma é necessária para acabar com os costumes ruins? Por quê há mais alegria em rodas de amigos (as) do que no cotidiano de quem escolheu estar junto? E até gerou mais bons companheiros nesta viagem.
O lado a lado não precisa ser para sempre. Bem que de vez em quando, poderíamos está frente a frente e ouvir, falar, ser bobo, mas não perder o encanto do olhar. Se escolhemos ficar juntos, vamos viver, VIVER juntos e perceber, sentir, aprender um com o outro.
Às vezes, observo casais amigos em bons diálogos, aparentemente sintonizados e na primeira discussão em minha presença, meu sorriso é imediato. Sorriso de coração, de compreender que o bendito para sempre, mesmo 'enquanto dure' não precisa ser perfeito e se disser que é, já deve ser monótono (venenosa!). Mas a diferença deve ser compreendida, as discussões direcionem a um entendimento ou exercício de desculpas, perdão, compreensão.

(Escrito em 2018, mas ainda vale)